Impressionismo – A Técnica Impressionista

A técnica impressionista, nas pinturas do século XIX

Técnicas do impressionismo, como o uso de cores complementares e mistura óptica.

Na pintura impressionista, os artistas não pintam os objetos como eles são, mas como eles se apresentam sob a ação deformadora da luz. Não se baseiam na tradição dos grandes mestres ou nas regras acadêmicas, mas em uma visão pura e dinâmica do mundo. O olho, portanto, esté em primeiro lugar – ao invés, por exemplo, do cérebro ou da alma.

Os impressionistas negam, primeiramente, o conceito de “cor local”. Este princípio acadêmico sustenta que os objetos possuem uma cor característica, obtida com uma fórmula de tinta correta. Assim, um tronco de uma árvore deveria sempre ser retratado com uma tonalidade específica de marrom. Os impressionistas defendem que a cor varia conforme a qualidade da luz. Assim, dependendo da incidência de raios de sol neste tronco, o horário do dia e condição climática, este mesmo tronco poderia ser retratado em tonalidades de vermelho, verde e até azul. A cor não é uma qualidade permanente da matéria.

Primavera, Claude Monet

Primavera, Claude Monet

E assim como a cor, também a forma dos objetos é dinâmica e mutável. Para os impressionistas, não existem linhas na natureza. As formas dos objetos são percebidas como o término de uma superfície colorida e o começo de outra superfície de tonalidade diferente. Assim, o desenho-contorno que define com precisão a forma e sugere o volume dos objetos, é abandonado. As formas são bastante simplificadas.

Catedral de Rouen, Claude Monet

Catedral de Rouen, Claude Monet

A perspectiva deixa de ser baseada nas regras da geometria, sendo realizada no dégradée de tonalidades. O claro-escuro também é banido. Descobertas científicas da época revelam que cada cor tende a colorir com sua complementar o espaço circundante, ou seja, a sombra de um objeto conterá as tonalidades de sua cor complementar. Assim, um objeto vermelho projetará em sua sombra tonalidades de verde. As sombras da pintura impressionista, portanto, são repletas de cores e transparências – os tons de negro, cinza e castanho são excluídos das paletas.

The Great Boulevards, Auguste Renoir

The Great Boulevards, Auguste Renoir

As cores frequentemente são empregadas puras na tela, em pinceladas dessassociadas. Preferem-se os tons complementares. Duas complementares (vermelho e verde, por exemplo), quando justapostas na tela, exaltam-se, tornando-se mais intensas. Iniciam-se as pesquisas sobre mistura óptica que culminariam no neoimpressionismo. Segundo a lógica da mistura óptica, as cores não deveriam ser misturadas na paleta, mas na tela. Assim, para obter um tom de violeta, o pintor pode justapor na tela pinceladas de azul e vermelho. Os tons se misturariam no mecanismo óptico e perceptivo do observador. De longe, veria-se a cor desejada.

Madame Monet Reading, Auguste Renoir

Madame Monet Reading, Auguste Renoir

As pinceladas são fluidas, táteis, quase vaporosas. Principalmente, são ligeiras – a luz muda depressa, e a impressão da paisagem deve ser capturada com espontaneidade, sem o filtro da memória. Desenvolve-se a pintura ao ar livre.

House of Parliament Sun, Claude Monet

House of Parliament Sun, Claude Monet

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